Já estamos em nosso 3º material sobre o tema, e hoje trataremos a respeito do Planejamento Urbano e Ambiental.
No processo de urbanização o homem realiza mudanças no ambiente a fim de possibilitar sua utilização para um melhor desempenho das diversas atividades humanas. Algumas dessas mudanças vêm ocorrendo de forma desenfreada e sem o devido planejamento, considerando que o meio natural é finito. Como exemplos podemos citar o desmatamento, a erosão do solo e a poluição que ocasionam catástrofes naturais e alterações climáticas.
A urbanização implica em transformar o ambiente natural em ambiente construído. Os resíduos são despejados no meio acreditando-se que a natureza é capaz de absorver todo o entulho. As consequências ambientais dessas ações passaram a ser objeto de maior atenção por parte de governos e de organizações como um todo, elevando o grau de consciência da sociedade sobre o tema.
É importante destacar que sustentabilidade do desenvolvimento requer que se contemple a sustentabilidade da sociedade. Como podemos pensar a qualidade de vida das pessoas com quem trabalhamos diariamente, considerando este cenário?
Atualmente, o planejamento urbano vem tentando curar a marca deixada pelo crescimento desordenado das grandes cidades, com suas ocupações irregulares, inclusive em locais de preservação ambiental! Estes são os locais que a grande parcela da população que vem para a cidade encontra. As ações realizadas para tentar sanar a questão envolvem infraestrutura básica, como abastecimento de água e tratamento de esgoto. Mas, é só isso que as pessoas precisam?
O futuro das nossas cidades depende destas ações, da conscientização da população e do planejamento adequado por parte de gestores.
Tem havido um significativo avanço, nos últimos anos, no que se refere à criação e à implementação de instrumentos de planejamento urbano e ambiental. Você conhece estes instrumentos? Sabe como aplicá-los? Eles dão conta da necessidade de cada território e suas especificidades? Como enfrentar estes problemas?
Para complementar a leitura, assista a Profa. Giselle Bangoin! Inscreva-se em nosso canal do Youtube para acompanhar nossos materiais!
Cidade, Mobilidade e Urbanização: Planejamento e Saúde #3 - Planejamento Urbano e Ambiental
Dando sequência aos nossos textos e vídeos sobre o
tema “Cidade, Mobilidade e
Urbanização: Planejamento e Saúde”, hoje, com nosso 2º assunto, vamos tratar da
Mobilidade Urbana e Humana.
Você que acompanhou o 1º assunto sobre Atores das Cidades
e que, provavelmente, trabalha com grupos sociais excluídos, precisa conhecer
um pouco sobre a Mobilidade.
Mobilidade é
o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A
opção pelo automóvel - que parecia ser a resposta eficiente do século 20 à
necessidade de circulação - levou à paralisia do trânsito, com desperdício de
tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição atmosférica e de
ocupação do espaço público. Você
sabia que no Brasil, a frota de automóveis e motocicletas teve crescimento de
até 400% nos últimos dez anos?
Mobilidade urbana sustentável envolve a implantação de sistemas sobre trilhos, como
metrôs, trens e bondes modernos (VLTs), ônibus "limpos", com
integração a ciclovias, esteiras rolantes, elevadores de grande capacidade. E
soluções inovadoras, como os teleféricos de Medellin (Colômbia), ou sistemas de
bicicletas públicas, como os implantados em Copenhague, Paris, Barcelona,
Bogotá, Boston e várias outras cidades mundiais.
Por
fim, a mobilidade urbana também demanda calçadas confortáveis, niveladas, sem
buracos e obstáculos, porque um terço das viagens realizadas nas cidades
brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas.
Somente
a requalificação dos transportes públicos poderá reduzir o ronco dos motores e
permitir que as ruas deixem de ser "vias" de passagem e voltem a ser
locais de convivência.
A mobilidade urbana refere-se às condições de deslocamento da
população no espaço geográfico das cidades e é preciso lembrar que a qualidade
e o tempo deste deslocamento interferem diretamente sobre a saúde da população. O termo é geralmente empregado para
referir-se ao trânsito de veículos e também de pedestres, seja através do
transporte individual (carros, motos, etc.), seja através do uso de transportes
coletivos (ônibus, metrôs, etc.).
Nos
últimos anos, o debate sobre a mobilidade urbana no Brasil vem se acirrando
cada vez mais, haja vista que a maior parte das grandes
cidades do país vem encontrando dificuldades em desenvolver meios para diminuir
a quantidade de congestionamentos ao longo do dia e o excesso de pedestres em
áreas centrais dos espaços urbanos. Trata-se, também, de uma questão ambiental, pois o
excesso de veículos nas ruas gera mais poluição, interferindo em problemas
naturais e climáticos em larga escala e também nas próprias cidades, a exemplo
do aumento do problema das ilhas de calor.
A
principal causa dos problemas de mobilidade urbana no Brasil relaciona-se ao
aumento do uso de transportes individuais em detrimento da utilização de
transportes coletivos, embora esses últimos também encontrem dificuldades com a
superlotação. Esse aumento do uso de veículos como carros e motos deve-se:
à má qualidade do
transporte público no Brasil;
ao aumento da renda
média do brasileiro nos últimos anos;
à redução de impostos
por parte do Governo Federal sobre produtos industrializados (o que inclui os
carros);
à concessão de mais
crédito ao consumidor;
à herança histórica
da política rodoviarista do país.
Entre
as principais soluções para o problema da mobilidade urbana, na visão de muitos
especialistas, seria o estímulo aos transportes coletivos públicos, através da
melhoria de suas qualidades e eficiências e do desenvolvimento de um trânsito
focado na circulação desses veículos. Além disso, o incentivo à utilização de
bicicletas, principalmente com a construção de ciclovias e ciclofaixas, também
pode ser uma saída a ser mais bem trabalhada.
Outra
questão referente à mobilidade urbana que precisa ser resolvida é o tempo
de deslocamento,
que vem aumentando não só pelos excessivos congestionamentos e trânsito lento
nas ruas das cidades, mas também pelo crescimento desordenado delas, com o
avanço da especulação imobiliária e a expansão das áreas periféricas, o que
contrasta com o excessivo número de lotes vagos existentes. Se
as cidades fossem mais compactas, os deslocamentos com veículos seriam mais
rápidos e menos frequentes.
Muitas
outras soluções, além do incentivo aos transportes de massa e ao uso de
bicicletas, são mencionadas por especialistas em Urbanismo e Geografia Urbana.
Uma proposta seria a adoção dos chamados “rodízios”, o que já é empregado em
várias cidades, tais como São Paulo. Outra ideia é a adoção dos pedágios
urbanos, o que faria com que as pessoas utilizassem, em tese, menos os veículos
para deslocamentos.
Outra
proposta é a diversificação dos modais de transporte. Ao longo do século XX, o
Brasil foi essencialmente rodoviarista, em detrimento do uso de trens, metrôs e
outros. A ideia é investir mais nesses modos alternativos, o que pode atenuar
os excessivos números de veículos transitando nas ruas das grandes cidades do
país.
De
toda forma, é preciso ampliar os debates, regulamentando ações públicas para o
interesse da questão, tais como a difusão dos fóruns de mobilidade urbana e a
melhoria do Estatuto das Cidades, com ênfase na melhoria da qualidade e da
eficiência dos deslocamentos por parte das populações. Você,
possivelmente um gestor ou gestora que atua direta ou indiretamente sobre a
qualidade da saúde nas cidades, como vem desenvolvendo estratégias neste
sentido? Como vem atuando no que se refere a mobilidade?
Complemente suas reflexões com o vídeo abaixo e aproveite para se inscrever em nosso canal do Youtube para não perder os próximos:
Cidade, Mobilidade e Urbanização: Planejamento e Saúde #2 - Mobilidade Urbana e Humana
Vamos seguir em nossa série de vídeos para ajudar você a superar o medo do TCC.
Dica #2 - FAÇA UMA PERGUNTA!
Toda pesquisa, toda descoberta, toda invenção e inovação produzida pela espécie humana partiu de uma pergunta.
Já pensou nisso?
Desde o tempo das cavernas, os homens buscavam respostas para seus problemas no dia a dia. Como proteger a tribo? Como alimentar a tribo de forma mais eficiente? Como caçar animais maiores?
Claro, talvez eles não fizessem literalmente essas perguntas, mas desenvolveram ferramentas, estratégias a partir da busca para resolução de problemas - Uma pergunta é um problema.
Então, toda pesquisa, ou, todo trabalho científico tem um problema: O PROBLEMA de PESQUISA.
Esse problema pode ser colocado em forma de pergunta. Alguns autores chamam de Pergunta de pesquisa, ou pergunta de partida.
É seu ponto inicial, ou seja, é o momento de pensar sobre o que gostaria de pesquisar.
Portanto, todo trabalho científico parte de uma pergunta. Qual é a sua?
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Aproveite nossas dicas para prosseguir em seu processo com tranquilidade, prazer e sem traumas:
Foto: Caio Miranda
Dica #1 - LEIA!
Seja em formato de monografia ou de artigo, o seu TCC é um trabalho escrito. Portanto, não é fácil realizar uma produção escrita sem que antes haja muita leitura.
Mas, não é ler qualquer coisa, não. Você precisa ler textos científicos, acadêmicos.
Então, se o TCC é um trabalho científico, você precisa conhecer um trabalho científico. Deve se acostumar com a linguagem científica, com a estrutura desse tipo de trabalho.
Portanto, é importante ler artigos científicos, monografias, dissertações, teses, antes de começar a escrever qualquer um desse, para se acostumar com a leitura desses textos e reconhecer sua estrutura.
Vale também para conhecer melhor a linguagem utilizada, as diferentes terminologias e vocabulário utilizados nas diferentes áreas de conhecimento.
Para encontrar leituras utilize bases de dados como Scielo, Google acadêmico, ou procure a biblioteca da sua faculdade.
Busque ler artigos científicos da sua área, com temas que te interessam. Assim, a leitura não será chata, nem maçante.
Encontrando algo interessante, leia mais de uma vez. Tente identificar a estrutura desse artigo: tem um objetivo? Tem uma hipótese? Como foi feito esse estudo? É uma pesquisa de campo? Quais os resultados?
É um ótimo exercício!
As monografias, dissertações e teses são mais extensas, mas você não precisa, nesse momento, ler o trabalho completo. Leia os capítulos que te interessam e realize também o exercício de identificar as estruturas, como no artigo.
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Já nos deparamos com muitas pessoas têm medo do TCC.
Sofrem, se desesperam, não sabem por onde começar.
Já sabemos, conforme o post anterior (leia aqui) que não fomos ensinados (as) a pesquisar, que não sabemos fazer o TCC, simplesmente porque não aprendemos antes.
Aí, chegamos na graduação e temos que passar por essa espécie de "ritual macabro" para terminar o curso.
Mas não é nada disso!
Já que não aprendemos antes, podemos correr um pouco para recuperar o tempo perdido e aprender como elaborar um TCC bom, de qualidade, e, o melhor, com tranquilidade e com prazer!
Sim, é possível!
Esse trabalho científico não precisa ser um pesadelo. Até porque, ele tem uma estrutura, tem um passo-a-passo, que torna sua elaboração algo mais simples de compreender.
Seguiremos em nossos posts com algumas dicas que podem te ajudar a iniciar esse processo sem traumas.
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Eu imagino que se você se interessou pelo título desta postagem é
porque atua em áreas profissionais que se preocupam com a organização das
cidades, a mobilidade das pessoas e a urbanização. Acredito que você seja
alguém que se preocupa com a forma como as pessoas vivem, se elas possuem qualidade
mínima de vida ou não.
Sendo assim, estamos iniciando uma sessão de 5 textos aqui no blog e 5 vídeos sobre o tema. Hoje o foco é sobre os atores das cidades, aqueles que produzem o espaço urbano!
Você sabia que cerca de 80% das pessoas vivem no espaço urbano? Apenas
20% estão no meio rural.
Frente a este elevado número de pessoas nas cidades, cabe pararmos para
pensar sobre como estas cidades funcionam. Você já parou para pensar sobre isso?
Quais
as diferenças e quais as relações entre grandes, pequenas e médias cidades?
Talvez você more em São Paulo... Já parou para refletir sobre qual o seu
papel da região metropolitana de São Paulo, por exemplo?
No espaço existe uma reprodução da vida. Ele não é somente físico. Mas,
é também social, simbólico e relacional!
Portanto, você também faz parte da produção deste espaço ao estabelecer
relações e ao modificá-lo no dia-a-dia.
Quem produz o espaço urbano?
Os grandes industriais: são, em razão da dimensão de
suas atividades, grandes consumidores de espaço. Necessitam de terrenos amplos
e baratos que satisfaçam requisitos pertinentes às atividades de suas empresas
– junto a portos, a vias férreas ou em locais de ampla acessibilidade à
população. Estes são os grandes consumidores dos espaços interferindo em outros
usos da terra. Sem falar na especulação fundiária que aumenta o preço dos
imóveis.
Os proprietários fundiários: atuam no sentido de
obterem a maior renda fundiária de suas propriedades, interessando-se em que
estas tenham o uso mais remunerador possível, especialmente uso comercial ou
residencial de status. Estão
interessados no valor de troca da terra e não no seu valor de uso. Alguns dos
proprietários fundiários, os mais poderosos, poderão até mesmo ter suas terras
valorizadas através do investimento público em infraestrutura, especialmente
viária. É possível aos proprietários tornar-se também promotores imobiliários;
loteiam, vendem e constroem casas de luxo.
Os promotores imobiliários: agentes que realizam
operações de incorporação; financiamento; estudo técnico; construção ou
produção física do imóvel; e comercialização ou transformação do
capital-mercadoria em capital-dinheiro, acrescido de lucro. Produzem habitações
com inovações, com valor de uso superior às antigas, obtendo-se um preço de
venda cada vez maior, o que amplia a exclusão das camadas populares.
O Estado: atua também na organização espacial da
cidade. Sua atuação tem sido complexa e variável tanto no tempo como no espaço,
refletindo a dinâmica da sociedade da qual é parte constituinte.
E os grupos sociais excluídos: são aqueles que não
possuem renda para pagar o aluguel de uma habitação digna e muito menos para
comprar um imóvel. Este é um dos fatores, que ao lado do desemprego, doenças,
subnutrição, delineiam a situação social dos grupos excluídos. A estas pessoas
restam como moradia: cortiços, sistemas de autoconstrução, conjuntos
habitacionais fornecidos pelo agente estatal e as degradantes favelas.
Qual destes
atores é você? Ou você acha que não se enquadra em nenhuma destas
categorias?
Você que se
interessou por este tema, provavelmente atua com os grupos sociais excluídos e está
no lugar de quem atua no planejamento de ações.
Enquanto alguém
que atua frente aos grupos sociais excluídos no espaço urbano, qual é a melhor
estratégia de planejamento para estas ações?
É possível que
você já desenvolva um planejamento próprio! Mas, é importante lembrar que cada
contexto necessita de um planejamento bem específico e que não entre em
conflito com o bem mais precioso daquele território: as pessoas e suas
singularidades.
Para complementar a discussão, segue o vídeo:
Bibliografia:
CORRÊA, Roberto Lobato (2004).
HARVEY, David. In: MARICATO, Ermínia et
al. (2013).
MARICATO, Ermínia. In: MARICATO,
Ermínia et al. (2013).