Atualmente,
não nos sentimos pertencentes e seguros em nossos territórios. Não consideramos
as cidades espaços de acolhimento e qualidade de vida.
Quando
pensamos em território,
devemos nos lembrar de como eles influenciam nossas vidas. Deste modo, se nos sentimos inseguros
e não acolhidos, como contrariamente, agir para nos sentirmos pertencentes,
seguros e acolhidos?
Especificamente
nos trabalhos em Rede, independente da área, o ponto principal para se produzir
o sentimento de acolhimento e segurança, bem como para promover qualidade de
vida, devemos investir nas
relações sociais.
Como
estamos tratando da Educação em Rede,
devemos lembrar que para pensar uma educação integral, devemos perceber esse
território a partir da instituição que estamos pretendendo iniciar um projeto
em rede. Ou seja, se você está em uma escola e quer iniciar o projeto aí,
precisa olhar para o território do entorno a partir desta escola. Você vai identificar que outras
instituições e espaços são importantes para sua escola e que possuem vínculos importantes
com ela.
Percebendo
o seu território de trabalho, considere que quanto mais populoso ele for, menor
será sua capacidade de
responder adequadamente as vulnerabilidades ali encontradas; e quanto
menos profissionais comprometidos com a Educação em Rede existirem no
território, menor também será a capacidade
de se construir uma rede e responder as vulnerabilidades.
Para um
bom trabalho em rede é essencial identificar as particularidades do território como desigualdades
socioeconômicas; condições de vida; contato social entre as pessoas; processo
de produção, trabalho e renda; distribuição e consumo de recursos; e situações
ambientais. Conhecendo bem o território, você poderá priorizar situações as
quais dará mais atenção. Quem está mais vulnerável e sob maiores riscos, deve
ter preferência. Este é o
conceito de Equidade. Talvez você já tenha ouvido falar sobre ele.
Um dos
trabalhos do educador em rede é facilitar a constituição de vínculose para atingir este objetivo é preciso compreender o
território nas suas três dimensões:
Espaço físico: ruas, casas, escolas, empresas, e outros.
Dimensão simbólica: aspectos sociais, econômicos, culturais, religiosos, e outros.
Dimensão existencial: modos pelos quais o território ganha sentido a partir da história pessoal de cada um.
Quando
consideramos as três dimensões, percebemos que se trata de um território vivo e dinâmico,
em constante construção e
mudança.
Deste
modo, como educadores em rede, devemos oferecer uma escuta capaz de
acolher e compreender as particularidades dos acontecimentos de vida de cada
pessoa.
Bibliografia
Alarcon,
Lancetti, Ramôa et al, 2013
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A gestão da Educação em Rede, participativa a princípio, encontra-se embasada nos conceitos abaixo descritos:
Atenção Integral
Um trabalho em rede pressupõe atenção e cuidado integrais aos usuários, por meio da articulação de serviços, sendo eles de mesmo setor ou não (ex.: diversos equipamentos da Educação; ou entre um equipamento da Educação e um equipamento do Verde e Meio Ambiente; ou entre um equipamento da Educação, um equipamento da Saúde e um equipamento da Cultura; etc.). Essa articulação deve incluir, não apenas equipamentos tradicionais dos serviços públicos, mas, também, recursos da comunidade para se constituírem em verdadeiros espaços de inclusão, qualidade de vida na cidade e desenvolvimento das pessoas.
Atenção Intersetorial
Segundo NASCIMENTO (2010) a intersetorialidade nas políticas públicas pode promover a articulação de saberes técnicos, já que os especialistas de uma área passam a integrar agendas coletivas e compartilhar objetivos comuns com técnicos de outras áreas. A intersetorialidade pode trazer ganhos para a população, para a organização de ações definidas, bem como para a organização de ações em determinados territórios.
Promoção de Saúde
A Política Nacional de Promoção da Saúde (2006), que foi revista e atualizada em 2015, tem como objetivo geral promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e o risco à saúde agindo sobre os determinantes e condicionantes de saúde/doença, ou seja, agindo sobre modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, entre outros. Isso significa que o que determina a saúde de alguém é mais que simplesmente estar doente ou não. Trata-se de um bem-estar geral em todos os âmbitos relacionados à vida. E, claro, ter acesso a uma educação efetiva que possibilita o desenvolvimento integral, faz parte dos condicionantes de maior ou menor saúde das pessoas.
Educação em Saúde
A Educação Popular em Saúde:
“É um instrumento para a formação de atores sociais que participem na formulação, implementação e controle social da política de saúde e na produção de conhecimentos sobre a gestão das políticas públicas de saúde, o direito à saúde, os princípios do SUS, a organização do sistema, a gestão estratégica e participativa e os deveres das três esferas de gestão do SUS (federal, estadual e municipal)” (Brasil, 2009, p. 131).
Empoderamento
A proposta de empoderamento pode ser reconhecida como uma forma mais dialógica de comunicação devido a postura ética de maior respeito à autonomia cognitiva das pessoas. O exercício do empoderamento cria um cenário de comunicação de natureza dialógica e não linear.
Participação Social
Estimular a participação social é reforçar a importância de protagonizarmos processos de mudança.
“Não aceitar a responsabilidade pela realidade em que vivemos é, ao mesmo tempo, nos desobrigarmos da tarefa de transformá-la, colocando na mão do outro a possibilidade de agir. É não assumirmos o nosso destino, não nos sentirmos responsáveis por ele, porque não nos sentimos capazes de alterá-lo. A atitude decorrente dessas visões é sempre de fatalismo ou de subserviência, nunca uma atitude transformadora” (Toro e Werneck, 2004, p. 18).
Você já tinha ouvido falar em alguns destes conceitos? Acho que agora você pode começar a praticar algumas destas propostas para experimentar as mudanças que podem trazer! Acompanhe a série de vídeos, inscreva-se no canal!
Para que a educação reflita em mudanças na sociedade, primeiramente, o ator educador necessita ser comprometido. Segundo Freire (2011) a primeira condição para que alguém seja comprometido é ser capaz de agir e refletir. Trata-se de intencionar sua própria consciência em direção a sua forma de estar sendo no mundo.
O autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para medirmos nossas ações e, principalmente, equilibrarmos nossas intenções sobre os outros. Para se autoconhecer como educador, um caminho favorável é estar presente (como se diz, “de corpo e alma”) naquilo que se está fazendo e perceber os impactos das relações: o que me deixa satisfeito, o que me incomoda, o que eu deveria evitar, etc.
A ação de educador se descobre no fazer e é possível refazer os caminhos várias vezes, o que se torna uma ação consciente e não negligenciada.
Deste modo, o educador é um trabalhador social, na medida em que atua em uma realidade que está sempre se alterando. Este trabalhador só pode se compreender se se pensar como em relação com esta realidade que se modifica constantemente. Sendo assim, precisa conhecer a realidade da qual faz parte (Freire, 2011).
“Por isso, o trabalhador social não pode ser um homem neutro frente ao mundo, um homem neutro frente à desumanização, frente à permanência do que já não representa os caminhos do humano ou à mudança destes caminhos” (Freire, 2011, p. 63).
Um educador comprometido é um educador que planeja suas ações. Para uma educação, dentro das situações planejadas, que seja coerente com o desenvolvimento integral de seres humanos, o mais esperado é aquela construída em processo de rede dentro do território.
Na educação em rede não há dominador, nem dominado. Neste caso, há, na realidade, uma rua, um bairro e até uma cidade inteira comprometida com o desenvolvimento das pessoas que ali habitam. E assim, já é possível perceber que o educador deixa de ser somente aquele dentro dos muros da escola (ou de outra situação de educação não formal) e passa a ser qualquer pessoa que esteja em espaços potenciais de desenvolvimentos de pessoas. Um território pode ter muitos espaços potenciais e comprometidos com o desenvolvimento.
Mas, a rede precisa se iniciada de algum ponto! Quem pode dar início a ela?
A rede pode ser iniciada por qualquer educador (no sentido amplo da palavra) que esteja em um espaço potencial de desenvolvimento e que se sinta comprometido com isso (alguém de uma ONG, um profissional de saúde de um hospital, um líder religioso, um agente de um museu, um gerente de uma academia de ginástica do bairro, uma bibliotecária, etc.).
Mas, o que é uma rede?
“Deve-se ter em mente que as redes não se formam por acaso. Elas são resultado do trabalho de numerosos atores que, em diferentes lugares e momentos, e com capacidades distintas de ação, exerceram e exercem seu papel como sujeitos da história” (Sposito, 2008, p. 48).
Será que você está pronto para atuar como um educador promotor de redes de desenvolvimento? O quanto se sente comprometido com o desenvolvimento das pessoas? Você conhece bem seu território de atuação? Sabe que espaços poderiam usar para compor uma boa rede?
Pois bem, a sua primeira tarefa é conhecer o seu território!
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Destinada aos/às profissionais da educação de modo geral, e demais interessados/as no tema.
Será um momento para reflexão a respeito da educação atual, desafios e possibilidades para se pensar estratégias para uma educação brasileira de qualidade.
Dia 08 de junho, das 9 às 11:30 horas Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), Rua Cardeal Arcoverde, 1749, cj. 78, Bloco B, Pinheiros - São Paulo
Com a Profa. Isabel Cristina Rodrigues, Mestra em Educação pela Universidade de São Paulo, Associada e Professora da Escola de Governo, Coordenadora Pedagógica na Educação de Jovens e Adultos em São Bernardo do Campo e Docente na graduação e pós-graduação do Centro Universitário Fundação Santo André.
Ficamos boquiabertas com a magnífica ideia do Núcleo de Estudos em Promoção da Saúde e Projetos Inclusivos do Centro de Estudos Avançados da Universidade de Brasília (UnB).
Diversos docentes e parceiros elaboraram um jogo cooperativo em que cada jogador ou jogadora assume o papel de uma personagem e todos juntos precisam impedir que a violência contra a mulher se alastre por todo o tabuleiro ou que cerque uma cidade. Para manter a característica lúdica do jogo, ao tratar de assunto tão sério, a solução foi trazer o cinema como válvula de escape.
Trata-se de um jogo de estratégia, no qual os jogadores respondem perguntas relacionadas ao tema violência contra a mulher, por meio de cenas de filmes. É preciso ações estratégicas em defesa da cidadania.
No conjunto de personagens que podem ser assumidos pelos jogadores, fica claro a proposta intersetorial. São eles: educador ou educadora, operador ou operadora do direito, integrante de políticas públicas, profissional de saúde ou cidadão ou cidadã do movimento de mulheres.
Essa foi uma das ideias mais vibrantes que vimos nos últimos tempos para discutir assunto tão relevante!