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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Educação em Rede #3 - O Conceito de Território

Por: Roberta Andrea de Oliveira

Atualmente, não nos sentimos pertencentes e seguros em nossos territórios. Não consideramos as cidades espaços de acolhimento e qualidade de vida.
Quando pensamos em território, devemos nos lembrar de como eles influenciam nossas vidas. Deste modo, se nos sentimos inseguros e não acolhidos, como contrariamente, agir para nos sentirmos pertencentes, seguros e acolhidos?
Especificamente nos trabalhos em Rede, independente da área, o ponto principal para se produzir o sentimento de acolhimento e segurança, bem como para promover qualidade de vida, devemos investir nas relações sociais.
Como estamos tratando da Educação em Rede, devemos lembrar que para pensar uma educação integral, devemos perceber esse território a partir da instituição que estamos pretendendo iniciar um projeto em rede. Ou seja, se você está em uma escola e quer iniciar o projeto aí, precisa olhar para o território do entorno a partir desta escola. Você vai identificar que outras instituições e espaços são importantes para sua escola e que possuem vínculos importantes com ela.


Percebendo o seu território de trabalho, considere que quanto mais populoso ele for, menor será sua capacidade de responder adequadamente as vulnerabilidades ali encontradas; e quanto menos profissionais comprometidos com a Educação em Rede existirem no território, menor também será a capacidade de se construir uma rede e responder as vulnerabilidades.
Para um bom trabalho em rede é essencial identificar as particularidades do território como desigualdades socioeconômicas; condições de vida; contato social entre as pessoas; processo de produção, trabalho e renda; distribuição e consumo de recursos; e situações ambientais. Conhecendo bem o território, você poderá priorizar situações as quais dará mais atenção. Quem está mais vulnerável e sob maiores riscos, deve ter preferência. Este é o conceito de Equidade. Talvez você já tenha ouvido falar sobre ele.
Um dos trabalhos do educador em rede é facilitar a constituição de vínculos e para atingir este objetivo é preciso compreender o território nas suas três dimensões:

  • Espaço físico: ruas, casas, escolas, empresas, e outros.
  • Dimensão simbólica: aspectos sociais, econômicos, culturais, religiosos, e outros.
  • Dimensão existencial: modos pelos quais o território ganha sentido a partir da história pessoal de cada um.

Quando consideramos as três dimensões, percebemos que se trata de um território vivo e dinâmico, em constante construção e mudança.

Deste modo, como educadores em rede, devemos oferecer uma escuta capaz de acolher e compreender as particularidades dos acontecimentos de vida de cada pessoa.

Bibliografia
Alarcon, Lancetti, Ramôa et al, 2013

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terça-feira, 7 de junho de 2016

Cidade, Mobilidade e Urbanização: Planejamento e Saúde #2 - Mobilidade Urbana e Humana

Por: Roberta Andrea de Oliveira

Foto: Caio Miranda
Dando sequência aos nossos textos e vídeos sobre o tema “Cidade, Mobilidade e Urbanização: Planejamento e Saúde”, hoje, com nosso 2º assunto, vamos tratar da Mobilidade Urbana e Humana.
Você que acompanhou o 1º assunto sobre Atores das Cidades e que, provavelmente, trabalha com grupos sociais excluídos, precisa conhecer um pouco sobre a Mobilidade.
Mobilidade é o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A opção pelo automóvel - que parecia ser a resposta eficiente do século 20 à necessidade de circulação - levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição atmosférica e de ocupação do espaço público. Você sabia que no Brasil, a frota de automóveis e motocicletas teve crescimento de até 400% nos últimos dez anos?
Mobilidade urbana sustentável envolve a implantação de sistemas sobre trilhos, como metrôs, trens e bondes modernos (VLTs), ônibus "limpos", com integração a ciclovias, esteiras rolantes, elevadores de grande capacidade. E soluções inovadoras, como os teleféricos de Medellin (Colômbia), ou sistemas de bicicletas públicas, como os implantados em Copenhague, Paris, Barcelona, Bogotá, Boston e várias outras cidades mundiais.
Por fim, a mobilidade urbana também demanda calçadas confortáveis, niveladas, sem buracos e obstáculos, porque um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas.
Somente a requalificação dos transportes públicos poderá reduzir o ronco dos motores e permitir que as ruas deixem de ser "vias" de passagem e voltem a ser locais de convivência.
A mobilidade urbana refere-se às condições de deslocamento da população no espaço geográfico das cidades e é preciso lembrar que a qualidade e o tempo deste deslocamento interferem diretamente sobre a saúde da população. O termo é geralmente empregado para referir-se ao trânsito de veículos e também de pedestres, seja através do transporte individual (carros, motos, etc.), seja através do uso de transportes coletivos (ônibus, metrôs, etc.).
Nos últimos anos, o debate sobre a mobilidade urbana no Brasil vem se acirrando cada vez mais, haja vista que a maior parte das grandes cidades do país vem encontrando dificuldades em desenvolver meios para diminuir a quantidade de congestionamentos ao longo do dia e o excesso de pedestres em áreas centrais dos espaços urbanos. Trata-se, também, de uma questão ambiental, pois o excesso de veículos nas ruas gera mais poluição, interferindo em problemas naturais e climáticos em larga escala e também nas próprias cidades, a exemplo do aumento do problema das ilhas de calor.
A principal causa dos problemas de mobilidade urbana no Brasil relaciona-se ao aumento do uso de transportes individuais em detrimento da utilização de transportes coletivos, embora esses últimos também encontrem dificuldades com a superlotação. Esse aumento do uso de veículos como carros e motos deve-se:

  • à má qualidade do transporte público no Brasil;
  • ao aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos;
  • à redução de impostos por parte do Governo Federal sobre produtos industrializados (o que inclui os carros);
  • à concessão de mais crédito ao consumidor;
  • à herança histórica da política rodoviarista do país.



Entre as principais soluções para o problema da mobilidade urbana, na visão de muitos especialistas, seria o estímulo aos transportes coletivos públicos, através da melhoria de suas qualidades e eficiências e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos. Além disso, o incentivo à utilização de bicicletas, principalmente com a construção de ciclovias e ciclofaixas, também pode ser uma saída a ser mais bem trabalhada.
Outra questão referente à mobilidade urbana que precisa ser resolvida é o tempo de deslocamento, que vem aumentando não só pelos excessivos congestionamentos e trânsito lento nas ruas das cidades, mas também pelo crescimento desordenado delas, com o avanço da especulação imobiliária e a expansão das áreas periféricas, o que contrasta com o excessivo número de lotes vagos existentes. Se as cidades fossem mais compactas, os deslocamentos com veículos seriam mais rápidos e menos frequentes.
Muitas outras soluções, além do incentivo aos transportes de massa e ao uso de bicicletas, são mencionadas por especialistas em Urbanismo e Geografia Urbana. Uma proposta seria a adoção dos chamados “rodízios”, o que já é empregado em várias cidades, tais como São Paulo. Outra ideia é a adoção dos pedágios urbanos, o que faria com que as pessoas utilizassem, em tese, menos os veículos para deslocamentos.
Outra proposta é a diversificação dos modais de transporte. Ao longo do século XX, o Brasil foi essencialmente rodoviarista, em detrimento do uso de trens, metrôs e outros. A ideia é investir mais nesses modos alternativos, o que pode atenuar os excessivos números de veículos transitando nas ruas das grandes cidades do país.
De toda forma, é preciso ampliar os debates, regulamentando ações públicas para o interesse da questão, tais como a difusão dos fóruns de mobilidade urbana e a melhoria do Estatuto das Cidades, com ênfase na melhoria da qualidade e da eficiência dos deslocamentos por parte das populações. Você, possivelmente um gestor ou gestora que atua direta ou indiretamente sobre a qualidade da saúde nas cidades, como vem desenvolvendo estratégias neste sentido? Como vem atuando no que se refere a mobilidade?
Complemente suas reflexões com o vídeo abaixo e aproveite para se inscrever em nosso canal do Youtube para não perder os próximos:

Cidade, Mobilidade e Urbanização: Planejamento e Saúde #2 - Mobilidade Urbana e Humana


Bibliografia:
Rolnik e Klintow (2011)

terça-feira, 26 de abril de 2016

Doenças Negligenciadas e a Indústria Farmacêutica


Você já ouviu falar em doença negligenciada?


Uma doença negligenciada é uma doença para a qual não existem potenciais consumidores ao medicamento. Ou seja, não há pessoas ou governos com poder aquisitivo suficiente e dispostos a consumir o medicamento. 

Frente a isso, a indústria farmacêutica não vê perspectiva de lucro, e então não investe em pesquisa para novos ou melhores medicamentos para a doença. Resumindo: pesquisa-se o que tem interesse comercial.

Este é um exemplo de condicionante social de saúde. 

Significa que a nossa maior ou menor saúde é influenciada por questões sociais. Ser mais ou menos saudável não é uma fatalidade ou simplesmente culpa de quem está doença, por não ter se cuidado o suficiente. Na verdade, há questões maiores das quais é preciso se empoderar e, assim, poder lutar por uma lógica diferente.


Neste caso específico das doenças negligenciadas, o capitalismo fala mais alto e o investimento na saúde fica, por vezes, na dependência do lucro garantido.

Leia na íntegra no número 163 da Revista RADIS, em “Por uma lógica inclusiva”, p. 19.